Atividade física na prevenção primária do câncer, redução de sintomas e na redução da mortalidade

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A atividade física tem se mostrado uma intervenção efetiva para proteger o organismo humano de várias doenças, inclusive o câncer. Na atualidade temos evidências fortes, baseadas em estudos de acompanhamento de longo prazo, que identificaram uma menor incidência de câncer de mama, endométrio e cólon em praticantes de atividade física regular comparada a pessoas sedentárias, em especial quando são realizadas atividades de alta intensidade. Estas evidências são reconhecidas por grandes órgãos de pesquisa como a Agência Internacional para pesquisa sobre câncer (IARC).

Uma meta-análise de 21 estudos identificou uma redução de 27% no risco de câncer de cólon e os resultados eram independentes do índice de massa corporal (IMC), intensidade ou duração dos exercícios. Outro estudo, um coorte com 15 anos de acompanhamento, que incluiu mais de 4 milhões de coreanos-ano, com 16.884 mortes, identificou uma redução de 23% no risco de morrer por câncer entre os que realizavam exercícios comparado aos que não realizavam, sendo a maior redução na mortalidade foi para o câncer de esôfago, fígado, coloretal e pulmão.

De forma semelhante ao efeito de prevenção primária da atividade física em relação ao câncer, tem sido identificada uma maior sobrevida e menor recidiva da doença em pacientes sobrevivente do câncer praticantes de atividade física regular após finalizar o tratamento oncológico inicial comparado àqueles que não praticam, em especial para o câncer coloretal, em mama e ovário.

Vários desfechos favoráveis em relação à saúde também têm sido vistos em pacientes que realizam atividade física regular, de preferência supervisionada, pouco antes ou durante o tratamento oncológico primário, seja ele quimioterapia, cirurgia ou radioterapia. Os resultados variam a depender do local do tumor, estadio da doença, tratamentos realizados, co-morbidades e nível de condicionamento prévio. Todavia a melhora da fadiga, depressão, distúrbios do sono, capacidade funcional física e qualidade de vida são frequentemente demonstrados.

Portanto, cabe ao fisioterapeuta, que é o profissional com formação para atuar com prescrição de exercícios em situações patológicas, a missão de se capacitar em oncologia, de forma a entender as particularidades desta doença e seus tratamentos, para então realizar uma prescrição efetiva e segura.

 

por Dra Flávia Maria Ribeiro Vital

  • Graduada em Fisioterapia pela UFJF
  • Especializada em Fisioterapia Cardiorrespiratória pela USP
  • Especializada em Avaliação tecnológica em Saúde pela UFRGS
  • Especialista em Fisioterapia em Cancerologia e Vice-presidente da regional MG da Sociedade Brasileira de Fisioterapia em Cancerologia
  • Doutora em Ciências pela UNIFESP
  • Autora do livro “Fisioterapia em oncologia: protocolos assistenciais”
  • Professora-orientadora da Pós-graduação em Saúde Baseada em Evidências da UNIFESP
  • Coordenadora do Programa de Aprimoramento de Fisioterapia em Oncologia do Hospital do Câncer de Muriaé – Fundação Cristiano Varella
  • Diretora do Centro Afiliado de Minas Gerais ao Centro Cochrane do Brasil
  • Diretora pedagógica da Vital Knowledge
Atividade física na prevenção primária do câncer, redução de sintomas e na redução da mortalidade