Práticas Integrativas em Oncologia

Compartilhe nas suas redes sociais:

É cada vez mais frequente a opção pelas práticas integrativas e complementares (PICS) como uma ferramenta capaz de aliviar os sintomas dos indivíduos em tratamento de câncer, em todas as fases da doença.  O Brasil já conta com 29 práticas integrativas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), número que aumentou consideravelmente desde a criação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) em 2006, que contava com apenas 5 procedimentos.

Na oncologia, observamos muitos avanços nos últimos anos no tratamento médico, o que aumentou a sobrevida dos indivíduos diagnosticados com câncer. No entanto, os efeitos colaterais da terapia medicamentosa e as sequelas da cirurgia e da radioterapia ainda afetam muito a qualidade de vida desses indivíduos. É nesse agravo que as PICS podem colaborar. Combinadas com o cuidado convencional, minimizam os sintomas adversos do câncer.

No dia a dia, deparamo-nos com alguns questionamentos: a) O que mais posso fazer para ajudar o tratamento convencional?  b) Como melhorar meu estilo de vida? c) Onde posso encontrar um profissional que me ajude nisso?  A procura crescente dos indivíduos pelas PICS é fato, visto o câncer ser uma doença fatal e debilitante; elas atuam para o empoderamento dos indivíduos, ajudando-os no entendimento dos processos de adoecimento e prevenção de agravos, promovendo saúde, qualidade de vida e autocuidado.

Quando bem indicadas, as PICS podem ajudar o indivíduo com câncer a reduzir alguns desconfortos ocasionados pelo tratamento cirúrgico e adjuvante, bem como no cuidado durante a terminalidade, contribuindo, por exemplo, no manejo da dor, náusea e vômito, xerostomia, estresse, ansiedade, fadiga, insônia, fogachos, neuropatia, constipação, no fortalecimento do sistema imunológico, entre outros.

No Brasil, apesar da maior concentração das PICS na atenção básica, observa-se cada vez mais o interesse e a implementação desses recursos terapêuticos na média e alta complexidade. A denominada “Oncologia Integrativa” vem sendo amplamente difundida internacionalmente, enquanto no Brasil acredita-se que possa ser introduzida como uma extensão da PNPIC, ou através do Programa Nacional de Assistência à Dor e Cuidados Paliativos.

A utilização de práticas integrativas e complementares na oncologia terá que vencer grandes desafios relacionados à capacitação dos profissionais, bem como ampliação do acesso e da oferta pelo SUS. Além disso, deverá contar com maior incentivo à pesquisa em PICS realizado pelo Ministério de Saúde, a fim de garantir segurança e efetividade nos cuidados prestados.

 

 

Larissa Braganholo Hostalácio

Especialista em Fisioterapia em Oncologia pela ABFO

Doutora em Ciências (EERP/USP), Mestre em Saúde Pública (EERP/USP)

Pós-graduada em Fisioterapia em Oncologia (FACIS/SP) e Fisioterapia Dermato-Funcional (UNAERP/RP)

Pós-graduanda em Fitoterapia Clínica (IPGS)

Formação em Acupuntura Sistêmica (IPES/RP)

Fisioterapeuta e Acupunturista do Centro Oncológico de Reabilitação (CORE) da Prefeitura Municipal de Birigui-SP

Práticas Integrativas em Oncologia